Início Blog Sinais de TDAH na idade escolar
TDAH e neurodesenvolvimento

Sinais de TDAH na idade escolar: quando não é apenas "falta de atenção"

Como reconhecer os sinais que passam despercebidos, o sofrimento emocional por trás deles e o que muda quando a criança é compreendida em vez de julgada

CN Equipe Clínica Nascente Psicologia e neuropsicologia · Leitura de 8 min

Toda criança esquece um material de vez em quando. Toda criança se distrai durante uma aula ou prefere brincar a fazer a lição de casa. Toda criança pode ser agitada em alguns momentos.

Mas quando essas dificuldades passam a acontecer quase todos os dias, em diferentes ambientes, e começam a afetar a aprendizagem, a autoestima, as amizades e a rotina da família, talvez seja hora de olhar com mais carinho para o que está acontecendo.

O TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade) não é falta de educação, preguiça, desinteresse ou ausência de limites. É uma condição do neurodesenvolvimento que interfere na forma como o cérebro organiza a atenção, controla os impulsos e regula o comportamento.

E o mais importante: crianças com TDAH querem acertar. Elas se esforçam muito mais do que as pessoas imaginam.

Os sinais que muitas vezes passam despercebidos

Nem sempre o TDAH aparece na criança que corre pela sala ou não consegue ficar sentada. Muitas crianças apresentam um perfil predominantemente desatento, especialmente meninas, e acabam sendo vistas apenas como distraídas, tímidas ou sonhadoras.

Observe se o seu filho, com frequência:

Esses comportamentos não acontecem porque ele "não quer". Muitas vezes, o cérebro simplesmente não consegue manter a atenção da maneira esperada.

Quando a hiperatividade aparece

Algumas crianças demonstram o TDAH através do corpo. Elas parecem estar sempre "ligadas no 220". É comum observar:

Nem sempre isso significa desobediência. Muitas vezes, é dificuldade em controlar impulsos.

A impulsividade também merece atenção

A impulsividade costuma trazer muitos conflitos. A criança pode falar sem pensar, fazer comentários inadequados, mexer nos objetos dos colegas, invadir brincadeiras, explodir emocionalmente diante de pequenas frustrações e se arrepender logo depois.

Ela frequentemente sabe o que deveria fazer, mas não consegue interromper o impulso a tempo.

Os sinais emocionais que quase ninguém percebe

O sofrimento emocional costuma ser silencioso. Depois de ouvir tantas vezes frases como "você é preguiçoso", "você não presta atenção", "seu irmão consegue" ou "você nunca termina nada", a criança começa a acreditar que realmente há algo de errado com ela.

É comum surgirem baixa autoestima, ansiedade, medo de errar, choro frequente, a sensação de ser "burra", vergonha diante dos colegas, evitação das tarefas escolares, irritabilidade e desânimo.

Às vezes, o problema maior deixa de ser o TDAH e passa a ser a dor emocional causada por anos de incompreensão.

O que observar em casa

Preste atenção se o seu filho esquece onde coloca objetos, precisa de muitos lembretes, não consegue organizar a mochila ou o quarto, inicia uma tarefa e rapidamente muda para outra, parece viver "no mundo da lua", tem dificuldade para administrar o tempo, esquece compromissos importantes, ou faz tudo muito rápido e cheio de erros, ou então demora horas para concluir tarefas simples.

Nenhum desses sinais, isoladamente, confirma um diagnóstico. O que chama atenção é a frequência, a intensidade e o impacto na vida da criança.

Como ajudar o seu filho

Seu filho precisa menos de broncas e mais de estratégias. Algumas atitudes fazem muita diferença:

Lembre-se: o cérebro aprende melhor quando se sente seguro, acolhido e compreendido.

Como orientar a escola

A escola é uma grande parceira. Explique aos professores que o seu filho não precisa de privilégios, mas de adaptações que favoreçam a aprendizagem dele. Algumas estratégias incluem:

Quando família e escola trabalham juntas, a criança se sente muito mais segura.

E quando o adolescente pode ter TDAH?

Na adolescência, os sinais mudam. Muitas vezes a hiperatividade diminui, mas aumentam as dificuldades com organização, planejamento, memória e controle emocional.

O adolescente pode esquecer provas e trabalhos, perder prazos importantes, ter notas muito abaixo do próprio potencial, procrastinar constantemente, dormir tarde porque não consegue se organizar, ter dificuldade para iniciar tarefas, sentir-se sobrecarregado, apresentar ansiedade e achar que "não é inteligente".

Nessa fase, o sofrimento costuma ser maior, porque ele começa a se comparar com os colegas.

Como conversar sem machucar

Evite frases como "você tem algum problema?", "você precisa de tratamento", "você é diferente" ou "você nunca presta atenção". Prefira uma conversa baseada em acolhimento. Você pode dizer:

"Percebi que algumas coisas têm sido muito difíceis para você. Não acho que seja falta de esforço. Quero entender melhor o que está acontecendo, porque acredito no seu potencial."

Ou:

"Talvez seu cérebro funcione de um jeito diferente. Isso não significa que você seja menos inteligente. Significa apenas que podemos encontrar estratégias para facilitar a sua vida."

O adolescente precisa sentir que será compreendido, e não julgado.

Quando procurar uma avaliação?

Vale buscar uma avaliação quando essas dificuldades estão presentes há bastante tempo, acontecem em casa e na escola, prejudicam a aprendizagem, afetam amizades e relacionamentos, geram sofrimento emocional e impactam a autonomia e a rotina.

O diagnóstico não serve para colocar um rótulo. Serve para compreender. E quando compreendemos, deixamos de culpar. Passamos a acolher.

Um diagnóstico não muda quem o seu filho é

Ele continua sendo criativo, curioso, inteligente, carinhoso e cheio de sonhos. O diagnóstico apenas explica por que algumas tarefas exigem tanto esforço. E, quando a criança recebe o apoio adequado, ela aprende a conhecer as próprias potencialidades, desenvolver estratégias e acreditar novamente em si mesma.

CN
Equipe Clínica Nascente
Psicologia e neuropsicologia. Uma equipe dedicada ao desenvolvimento infantil e ao neurodesenvolvimento, com avaliação, acompanhamento e orientação às famílias em Juiz de Fora.

As dificuldades do seu filho vão além da "falta de atenção"?

Existe um espaço para uma avaliação cuidadosa e para orientar a família e a escola juntas. Compreender é o primeiro passo para deixar de culpar e passar a acolher.

Falar no WhatsApp
Leia também